terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Os Irmãos Pintos e O Moleiro Ti Zé Maria

Juntaram-se os três à Esquina, a beberem pela Menina.
    Todos bebiam mal e de quando em vez aconteciam desta coisas.
   Os Irmãos Pintos juntaram-se com o Moleiro Ti Zé Maria  da Estibada que também lhe arrimava mal.
    Juntaram-se  na Loja do Ti  Cunha e vai de fazer uma Sussia, quando a Caneca de Cartilho ficava escorrida, mandava ser de novo lavada. Isto durou alguma horas.
  Cá fora amarrada a pobre da Égua com carga máxima  a escassos metros, lá teve de arrear " o que para ela já era um hábito" como também rebentar um saco da fornada e comer o milho .
    Já passavam das nove da noite, quando lá apareceu o Manco (Filho do Ti Zé Maria ) e depois de beberem mais duas cartilhadas foram à sua vida, segundo depois disse o Manco, o Pai teria ído no cai levanta-te, levanta-te e cai, mas lá conseguiu atravessar a Lobada e chegar a casa à Estibada.
   Os Pintos lá beberam mais um ou dois e como a Taberna se preparava para fechar lá foram saíndo e toca de colocar a conversa inacabada em dia "própria de copos"  o que levou mais algum tempo.
   Bem bebidos como estavam quando o de Quebra-Figos se despediu do de Sebolido, este tornou-lhe por resposta :- Ó Irmão nem penses em ir sózinho por aí abaixo eu vou-te acompanhar!
Mas se bem o disse, melhor o fez, e lá foram a cambaliar até à beira do Rio.
     Mas qundo estavam perto de casa e se despediram, o de Quebra- Figoso, pensou que também, não seria justo com aquele escuro, por aquele caminho ermo e áquela hora da noite deixar vir o Irmão sózinho!    Vai daí faz questão de o vir a acompanhar de novo até Sebolido.
  Neste vai e neste vem, carregando aquelas brutas pielas, já altas horas da madrugada as mulheres e filhos lá vieram à procura deles e lá os foram encontrar de novo junto à Tileira a continuarem a conversa e a teimarem para voltarem de novo a acompanharem-se de novo até Quebra-Figos.
  Coisas e casos que a memória gravou em criança e não deixa que se apaguem.
  DEPOIS O TRAQUINAS ERA-MOS NÓS.
   Filho de Burro, nunca pode dar Cavalo, pode isso sim dar um Jerico maior.  

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Férias da Páscoa e a Morte da Ovelha

Escola Comportamento razoável!!
Até aquele momento, a Escola até estava a correr de forma aceitável, apesar de já por umas três ou quatro vezes ter havido a necessidade de dar o salto para ir marcar o campo da bola ao Areio D´Ortes, e a teimosia da professora em exigir que aqueles que ela classifica de bons têm mesmo que serem muito bons e os outros coitadinhos estão sempre desculpados.
Férias da Páscoa
   Serviram para concretizar uma ameaça que já tinha sido várias vezes  feita.
   Era uma grande Ovelha, mas pior que uma Cabra a pastar, as Ovelhas normalmente pastam a eito, enquanto que as cabras comem as cabeças do pasto e sempre a andar.
   As Cabras  do Serralheiro e do Cerqueira calcarreavam quilómetros o que era uma carga de trabalhos para as apanhar e trazer de volta, agora que já havia uns cigarritos, mais os rebuçados, lá andavamos nós todos entusiasmados, mas a forma de eles pagavam o que prometiam era cruel.
Quando voltava-mos obrigavam-nos a puxar o Cigarro, travar o fumo e depois tapavam-nos a boca e por vezes até ficavamos roxos e sem ar. Mas depois lá nos davam um ou mais cigarros, Definitivo ou Provisório, por vezes lá vinha uns três vintes.No outro dia já tinhamos esquecido as patifarias e lá voltavamos ao mesmo. As férias também serviam para isso.
A Ovelha para complicar as coisas raramente andava por perto das Cabras.
A morte da Ovelha
Um dia eu pedi ao Albano Pombas se me ajudava a levá-la para uma Fragas e depois a empurrá-la de lá abaixo. Claro que a adesão dele foi imediata.
   Deveria ser uma altura apróximada de 40 metros. Foi dito e feito, o pior era depois convencer o meu Pai.
   Ensaiamos como seria e assim aconteceu:
   O meu Pai estava em casa, tinha uma jura sagrada. Desde que ele jurasse pela Alma do Avô dele não me batia.
   Depois de a termos deitado abaixo o Pombas que tinha umas goelas que se ouvia berrar a quilómetros lá começou com a berraria.
   Eu gritava ai a Minha Rica Ovelhinha que morreu. Vou-me matar
  Gritava o Pombas :- Aquilo de Rei, Aquilo de Rei. Ai que eu já não posso com ele.
   A mãe do Pombas ouviu e perguntou desesperada, o que era ele respondeu-lhe o Fanuca quer-se atirar das Fragas abiaxo com medo do Pai.
   A Ti Teresa chama pela minha Mãe e responde ela e o meu Pai.
   Ao ouvir eu dizer que me ía atirar das Fragas abaixo. Porque ele me ía matar à porrada e eu sem culpa nenhuma respondeu:- Ó meu rico filho eu não te bato.
 Então disse-lhe por duas vezes para ele jurar por alma do Avô dele.
 Jurou e eu disse-lhe que se ele me bate-se me atiraria depois.
Era o atiravas.
Durante uma semana foi tirar a barriga de misérias a comer a Ovelha, era carne a toda a hora.
Verdade que ele mais uma vez respeitou a jura.
O Barnabé e o Adolfo obrigado a dormir no Lagar do Guerra

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Minha Homenagem à Ti Teresa Pombas

                 Só se morre, quando deixamos de estar no coração de alguém.    
  Não a que desejaria mas a possivel.
    Esta grande Senhora com um enorme coração, foi durante os meus primeiros vinte anos uma referência e aquela que muito acompanhou a minha vida de Criança.
   Sempre tive por ela um carinho enorme.
   As consequências da vida, não foram muito favoráveis, para que nestes últimos anos eu tivesse uma vivência como desejaria e ela mereceria, mas por razões que me são alheias, tive de optar por este procedimento.
  Parava várias vezes a conversar com ela, e ela lamentava-se por coisas que ela considerava serem de uma tremenda injustiça, e que julgava não merecer, mas ao que me era dado saber, ela teria sido mal aconselhada e deixou-se arrastar e tomou posições que não devia, daí que tivesse ocasionado divergências entre filhos.
 Quando somos amigos de uns e outros não podemos nem devemos estar a tomar posições que não sabemos se estarão a ser correctas ou não. Correndo o risco de estarmos a ser injustos e virmos a ganhar inimizadas indevidas.
       Uma péssima notícia.
        Hoje quando encontrei um dos seus filhos ele informou-me que ela foi internada à dois dias no Hospital de Penafiel e que se encontra em coma profunda, que  segundo os médicos dali, não há a esperar mais nada.
     Livrou-me muitas vezes de apanhar grandes tareias, chegando mesmo a encobrir malandrisses e sacanisses que eu e os seus dois filhos praticavamos, e ela, sempre deitava água na fervura.
    Quando a minha Mãe se lamentava com ela a respeito de mim, ela sempre lhe tornava como resposta :- Não os podemos matar, eles são nossos filhos, e os meus não são melhores.
  Verdade que quer o Albano, quer o António não eram muito melhores que eu.
Também era dois bons tratantes, embora por vezes traiçoeiros, participavam e depois vinham descobrir e jurar a pés juntos que não tinham estados envolvidos.
  Costuma dizer-se que enquanto à vida à esperança, mas ao que parece, a Ti Teresa nos seus noventa e dois anos certamente não terá muitas defesas, o que levará a que as esperanças sejam muitissimo poucas.
   Deixa este mundo, seguramente descansada e sem remorsos. Ciente do dever cumprido, esta senhora criou uma filha do homem, que quando casou com ela era viúvo e foi ainda Mãe de mais seis filhos e soube   dar-lhes a todos uma educação que lhe permitiu, a que eles podessem viver a vida com toda a dignidade.
   Que saudades do tempo dos meus primeiros anos, quando eu pescava com ela na rede do Sável e da Lampreia.
    Quando se verificar a sua  partida física vai deixar em mim e em todos os que com ela conviveram um enorme vazio, e Cancelos, não ficará pobre, mas sim  ficará muito mais pobre, pois  perde uma Senhora que foi uma referência para este pitoresco Lugar.
   Obrigada por tudo Ti Teresa.
  Entrada para a Escola e a morte da Ovelha

sábado, 11 de dezembro de 2010

O Tempo passa

Havia rumores que a nova professora estava prestes a chegar e que a Escola brevemente iria começar.
Havia entre nós já uma certa saudade de recomeçar e taambém a curiosidade  de se conhecer o novo tipo de professora.
  Um pequeno intervalo para recordar este tempo passado.

  O tempo passa? Não passa no abismo do coração.
  Lá dentro perdura e graça
  do amor, florindo em coração.

  O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mão e olhos na luz.


Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

Será também uma maneira simples de um pequeno interregno nas histórias da minha vida de criança.



  

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A Escola, As Uvas, As Perdizes e a Ída à Bruxa

A Escola, os Pais, Avós e Professoras/es
Era um procedimento diremos que  normal a colocação de uma nova professora, acontecer com um ou dois meses atrazadas.
Ninguém se lamentava, ao contrário de hoje, o que dá é dizer mal dos professores e assim uma grande maioria sacode a água do capote e tenta livrar-se daquilo que deveria ser a sua inteira responsabilidade, preferem antes levar os meninos e trazê-los depois pela mãozinha, que é uma forma hábil de se mostrarem na montra da vaidade. As crianças essas é que nada ficam a ganhar com este exibicionismo.
Muitos casos que as professora marcam-lhe os deveres para casa, vão para o Infantário e no outro dia, esses mesmos deveres voltam como saíram da Escola.

O Roubo da Fruta (e  a táctica de calar o cão)
Com este atrazo tudo corria de feição, era o ideal para irmos roubar as uvas e maças à quinta da Moira e a nossa perspicássia era tal, que mesmo rastejando entre galinhas faziamo-lo com tal silêncio que nem esboaçavam e assim podiamos roubar as uvas à vontade.
 Já que no que respeita a um Diospireiro que ficava junto à casa e a Manca a Constância, só quando conseguíamos roubar um bocado de toucinho e  lhe o atirava-mos lá para dentro, já não havia cão a ladrar,  e aí dava para trazer os que quizessemos, mas nunca carregavamos grandes quantidades para não espantar a caça.
     ´´E evidente que nem sempre eramos bem sucedidos, vezes houve até que para não vir a guarda o Pai Nente, paga depois quando houvesse Lampreias.

Atirar Pedras para levantar Perdizes para os caçadores
    Vinham até ali vários caçadores que já nesse tempo usavam armas altamente sofisticadas inclusivé as de cinco tiros. Eram caçadores normalmente tais como Advogados, Doutores, Ricalhaços etc.
 Na minha Aldeia havia muitas perdizes que se metiam nos buracos das Fragas, onde os Cães não tinham a miníma hipótese de a esses locais  terem acesso.
Eramos pagos para atirar Pedras.  
    A única forma de as fazerem levantar, era irmos pela parte de cima, atirar-mos pedras e assim elas levantavam, eles cá debaixo da Estrada então atiravam sobre elas.
      Para fazer-mos esse serviço eles tinham de nos pagar e não tinhamos razão de queixa, pois quando a caçada era boa, chegavamos a juntar aos vinte escudos.
    Não fosse os nossos vícios e esse dinheirinho fazia um jeito enorme aos nossos Pais, mas o vício pela compra de rebuçados para termos jogadores para encher cadernetas e já com essa idade comprar uns cigarritos que passavam por ser ou para o Avô ou para o Pai, o dinheiro lá voava. Mesmo também, porque o Serralheiro e o Cerqueira, estavam sempre atentos e, o jogo ao montinho ajudava a que eles nos levassem o resto. Tinhamos fde calar o Bico, de contrário chovia de duas maneiras.
O rapaz só pode trazer o mafarrico dentro dele!!!
A  Tua Irmã vem cá;  à Bruxa.
   Uma Tia minha que vivia no Porto e o meu Tio que trabalhava no Hospital de Santo António, tinha a sua Mãe que praticava bruxaria, então se melhor o pensaram, melhor o fizeram, vai daí toca ir até Ermesinde a fim de eu ser consultado pela Bruxa, mas antes e como era Sogra da minha Tia, preparou lá uns ovos estrelados, uma batatas fritas, com  cebolada, acompanhada de uma boa malga de caldo.
Foi para mim um verdadeiro dia de festa.
Acabado o bom repasto, ela lá foi preparar a cena, logo com uma recomendação se eu e o meu Primo (seu Neto) "mais velho que eu um ano" nos rissemos, deitavamos tudo a perder.
      Depois de o cenário, umas velas e uma estátua muito feia, tudo fechado e ela começa lá com as rezas,  a infulipar muito, genero de roncos (gritos), eu e o meu Primo mijavamo-nos de riso em constantes  gargalhadas, foi um espectáculo interessante.
     Lá acabou, tinha descoberto, que o culpado de todas as minhas asneiras, era o bisavô do meu Pai que me aparecia segundo ela lá num Ribeiro que eu  tinha de lá passar para ir para minha casa.
     Lá com o responso que o tinha escomungado e a partir daí eu ficaria um bom rapaz.
      É O FICAS!!!
                        É o melhoras!!!     
     Não melhorei coisa nenhuma, ainda lá voltei mais uma vez, mas desta feita com a minha Mãe. 
Repetiu-se o cenário,ainda com mais aparato,  mas desta vez já sou houve uma malga de sopa e um naco de broa. Pois se continuasse o tacho como no primeiro dia até eu fazia uma forcita para lá voltar.
        Estava no Sangue, o Puto não tinha emenda. 
        Não havia Bruxa que lhe podesse escurraçar o espirito maligno.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A Carteira do Ti Luis Guerra. Quando a sorte não penetra!!!

A Carteira Perdida!  VINHA MESMO A CALHAR!!!
     Como referênciei na história anterior, os meus Pais tinham entregue o Cordão ao padre Queiróz da Raiva, para o levantarem eram necessários os tais mil escudos, naquele tempo um pequena fortuna para uns pobretanas como nós e numa altura que o Rio já não dava quase nada.
     Num belo dia 4 de Agosto, a data fixa em que se comemora a Festa do S. Domingos da Queimada, hoje vulgarmente chamado de S. Domingos da Serra, quando vou pelo caminho de cima, olho para o outro que passa por baixo e vejo uma carteira. Uma corrida e já cá cantava, abro a bolsa dos trocos e lá estavam umas tantas moedas, saco uma de vinte e cinco tostões, vou abrindo o resto e vejo que ela tem muitas notas de cem e uma três de quinhentos escudos e uma de mil, isto vinha mesmo a calhar, mas de repente reparo que nos dois recortes que elas tinham para colocar fotografias, lá tinha uma do Ti Luis Guerra, um solteirão que trabalhava os terrenos pegados aos nossos, mas que não dava uma sede de água a ninguém.
   Indiferente a isso, escondi a carteira com o dinheiro e lá fui chamar o Fifas para irmos comprar rebuçados.
   Sabíamos de que se fossemos à Loja do Ti Mário Barrigudo ele logo descobria, mas não, viemos a Sebolido ao ti Vitorino e como meninos poupadinhos, apenas compramos um escudo deles, convinha não deixar pistas.
Mas tanto ao azar, que o Guerra ao chegar ao Areio Dórtos, para atravessar na passagem, vai para pagar a viagem e carteira de grilo.
    Volta para trás e então sabia que era ali que tinha puxado por ela e em vez de a enfiar no bolso traseiro ela caíu-lhe.
       Chamaram-nos e em principio negamos, mas depois eles disseram que tinhamos corado e como tal sabíamos onde ela estava.
      Lá fui caçado na ratada. Os dez tostões já tinham voado em rebuçados, e o quinze de troco quando me fizeram a revista foi a descoberta.
      Cabeça não tem juizo. Corpo paga. Mas os rebuçados esses já tinham voado.
      Enquanto isso nem tudo era mau, porque a nova professora tardava em aparecer, o que mais tempo nos dava para a vadiagem e o seguimento das nossas aventuras, onde tinhamos todos o tempo do mundo.
  As Perdizes., as Uvas da Quinta da Moira e a ída á Bruxa

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Roubo do Cordão e o Anel " Jóia da Minha Mãe".

Há tanto ladrão dito sério,                                                       
Tanto sério que é ladrão.
Porquê os mitos do mistério
Protege tanto charlatão?

Maré baixa, Maré sobe,
Mas que grande confusão.
Porquê? Só o Zé-Pagode
Ou paga, ou vai p´ra Prisão!!!
Quem Roubou o Cordão?
O Cordão e o anel para a minha Mãe  era uma jóia de valor incalculável e seguramente que jamais e em condições algumas se iria desfazer dele.
   Não sabia ao certo quantos familiares seus já o tinham usado, certo que já vinha de algumas gerações.
   Claro que com crianças pequenas não era fácil ter sempre as portas fechadas, apeenas havia em nossa casa uma Mala de Madeira e uma Arca, a roupa cabia ali perfeitamente, já que a maioria das peças eram remendadadas e poucas mudas para cada um.
   A minha  Mãe escondia no fundo da mala alguns tostões que houvesse e de quando em vez dava falta de algum, mas sempre atribuiu a culpa ou a mim, ou ao meu Pai, e que veio a confirmar-se pagavamos injustamente.
  Escondia o Cordão e o Anel por trás  numa das prateleirritas que haviam na Cozinha e apenas só ela e o meu Irmão sabiam disso, nem o meu próprio Pai.
   Ela com medo de que lhe podesse acontecer alguma coisa de mal, e o meu Irmão a seguir a mim, mais novos dois anos, mas que sempre foi o menino das suas confidências.
O Responso, a ída à Bruxa e Bruxo e a Promessa. 
Os objectos desapareceram e logo de Imediato, recorreram a uma habilidosa que fazia de bruxa  a Ti Serralheira,e que depois das rezas lhe disse que eles não tinham atravessado água, o mesmo era dizer que não tinham atravessado o Rio e que quem teria roubado era do lado de cá.
  Como não aparecia, indicaram ao meu Pai, um Senhor que tinha sido Pároco e que ao ficar invisual optou por fazer essas rezass (Responsos) que vivia em Valongo de nome Abel ), que repetiu o que a Serralheira tinha dito, mas sem fazer o milagre de o ladrão ou ladra aparecerem.
  Começaram a correr Boatos que o meu Pai o teria vendido para  gastar o dinheiro na putaria, chegando mesmo um a dizer-lhe cara a cara, o que só não teve consequências imprevisiveis, porque a arma do meu Pai que era de carregar pela boca encravou.
A Oferta da Promessa e a esperteza do Padre
Face a esta situação a minha Mãe que era uma grande devota do Divino Santíssimo Sacramento da Igreja Matriz da Freguesia  da Raiva, ofereceu que caso o Cordão e o Anel aparecessem ofertaria mil escudos.
  Passados uns tempos veio a descobrir-se que quem tinha roubado era uma Sobrinha do meu Pai "que tinha sido criada com ele" de nome Ana e aquela em quem o meu Pai e a minha Mãe metiam as mãos e cabeça na Fogueira em defesa da sua honra, tal a confiança que depositavam nela.
 Então tal a fome e porrada que o homem lhe dava, que com três filhos de berço, não resistiu em roubar e vender os objectos e roubar ainda uma aliança e roupas a uma vizinha de nome Climência e que um dia distraídamente as colocou a secar. Foi a pista para a descoberta e confissão.
Ela até usava a táctica de mostrar o anel à Clemência que tinha roubado à minha Mãe e mostrava a aliança que tinha roubado à Clemência à minha Mãe como prova da sua inocência.
    O homem da minha Prima Ana, comprometeu-se a pagar os mil escudos,"prtoometidfos à Igreja, mas é o pagas e com quem?"" logo que tivesse dinheiro e levou a que os meus Pais não tomassem qualquer atitude sobre ela e até a desculparam, por tanto gostarem dela e muito lhe valeram até à hora da morte, já que infelizmente morreu muito nova, "de porrada e fome teve um farturinha".
     Como não tinham dinheiro para pagar na ocasião na Igreja da Raiva, dirigiram-se ao Padre e sua equipa e contaram-lhe o sucedido e que  como a minha Mãe fazia questão que assim fosse deixaram o Cordão como penhora da promessa e que logo que tivessem o dinheiro lá o levariam e trariam o Cordão.
    Tudo acertado e de comum acordo. Mas!!!
     Quando passado uns meses o meu pai se lhes dirigiu para dar-lhes o prometido e levantar o Cordão já tinham passado o mesmo a patacos e alegaram que o tinham entregado a um ourives para  avaliar e que ele valia, e que ele se sumiu sem deixar rasto.
  Só que a verdade era bem diferente, porque o cordão valia vários mil escudos.
  Assim em nome dopatrão dele, o Padre Queirós e seus comparsas,fizeram o seu negócio, auferiram o lucro indevido, e a minha Mãe ficou sem aquilo que lhe pertencia e que tanto sofreu.
  Se houver outro lugar onde se tenha de pagar e se acaso o responsável pela penitência não teve conhecimento deste grave pecado, espero que agora ao ter conhecimento, e se o caso ainda não precreveu, ou então que reabram o processo, mas que eles venham a pagar por essa malvadez e uso indevido de haveres que não lhes pertenciam.
  Seguem-se : - 
 A carteira do Ti Luis Guerra em Dia de S. Domingos e as Perdizes, e a minha Ída à Bruxa..