terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Cordão da Minha Mãe = (A Herança e o Roubo)

O Cordão e a tradição.
     Usava-se naquele tempo e ainda hoje em muitos casos isso acontece, de as Mães prometerem  o Cordão a uma das Filhas, que em muitos casos, vem sendo deixado por prometimento de Mãe para filha  em muitos casos já conta com  várias gerações, que até  nem se sabia quando e quem tinha comprado ou usado pela primeira vez essas preciosidades ( o Cordão e o Anel).
  Lutar e Vencer.
    Tinha a minha Mãe uns escassos quatro anos, quando o seu Pai ( meu Avô materno) morreu e deixado uma grande quantidade de filhos, ao todo (cinco), ainda todos muito novos.
   O meu avô dispunha de uns bens, casa prória e alguns terrenos e sortes (tapadas no monte), era proprietário de um Rabão e negociava em Carvão e outro tipo de madeiras para as Padarias que transportava para a cidade do Porto, onde eram vendidas.
    Com a ajuda da minha Tia mais velha a Olivinha, que como se dizia na altura era uma Maria Rapaz, foram enfrentando todas as dificuldades da vida árdua, conservando todos os haveres que o meu avô tinha deixado ficar (para isso trabalhando dia e noite, principalmente no tempo em que o Rio o permitia, ora não era possivel pelas cheias, outras ainda, porque nos meses de Setembro até Fevereiro o Rio Douro não dava para pescar peixe.
 O Cordão e o Anel prometido.
   A minha Avó Mãe Chica, antes de falecer prometeu o Cordão à minha Mãe, na ocasião a minha Tia Olivinha foi a Paiva ao Ourives e avaliaram o seu valor.
   Ficou prometido que entraria nos descontos da herança.
   Dois periodos  houve, que por doênça de meu Pai, uma vez de sete meses, quando eu tinha cerca de dois anos de idade, e mais tarde de 9 meses quando eu tinha cerca de oito anos, não havia Caixa de Previdência e como tal o meu Pai não auferia um cêntavo de rendimento, viviamos com as migalhas que a minha Mãe ía granjeando com a lenha da Serra (Carqueja e Queiró e depois com o rendimento da ganho com a  Rede (Varga) do pescado  Sável e Lampreia.), seguramente que houvesse, o que houvesse, o Cordão e o Anel jamais seriam vendidos.
     O citado Cordão e Anel, eles representavam objectos divínos.
O  Esconderijo!!!
A minha  Mãe tinha esconderijos que só ela e o meu Irmão Joaquim "chegado a mim" conheciam, com medo que não fosse o Diabo tecê-las e alguém ao vê-lo não resistir à tentação de o roubar, ou mesmo os meus Irmãos pegarem nele e o levar por exemplo: e até o deixar caír ao Rio etc.
    Mas costuma dizer-se que os Ladrões são como os Cães "Tem  Faro" , cheira-lhes e assim torna-se-lhes fácil descobrir  onde se encontram escondidos os objectos de grande valor!!!
     Roubaram o Cordão!!! Quem foi?
      Segue no próximo capitulo

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Uma Informação Para o mui Generoso Pai Natal

 
Pedido ao Pai Natal.
Com muito amor e carinho e admiração pela coragem de não desanimares perante as intempérides
Mui querido e Genroso Pai Natal:
     -Desde que me conheço, sempre acreditei em ti. Muito mais ainda, quando acredito que todos nós pessoas de bem temos dentro de nós durante todo o ano, fruto daquilo que nos deixas uma vez em cada  quadra Natalícia.
   Como sabes tenho vindo aqui a desenvolver a minha vida de criança e apesar de ainda não ter concluído os oito anos de idade, já me sinto muito honrado e feliz pelo tempo que os meus amigos têm dispêndido para poderem apreciar esse meu passado.
Hoje interrompo essa série para dar lugar aos pedidos que aproveito para fazer, já que estará na altura ideal.
   Sei que a tua tarefa em convencer as minhas três renas cá de casa não vai ser fácil, mas acredito que irás conseguir que elas cobalorem contigo de forma a satisfazeres estes meus pedidos.
    Elas alegam que pelo terceiro ano consecutivo continuo a pedir uma máquina fotográfica, mas Pai Natal:- a de há dois anos caíu ao Rio e deu o berro, a deste ano bateu em qualquer lado e aquela cena de focagem deu o berro e o concerto, sem a garantia der que ficaria a cem por cento era o preço quase de uma nova.
 Que dizer da minha velha grafenola, para e durante as minhas caminhadas, ouvir o meu programa de fados na Rádio Arouca, ou na Festival e de quando em ´vez o Augusto Canário e o Quim Barreiros.
  Que raio Pai Natal com o frio que se faz sentir não será que se justifica o pedido de uma camisolinha de gola alta e um blusão e umas calças de ganga.
   Mui querido e Generoso: ousa dizer-se na minha terra que até ao lavar dos cestos é vindima e acreditando vou colocar aqui o meu sapatinho em Nogueira da Regedoura e Cancelos Sebolido na Lareira e Trapeira lá em cima, e a Chaminé aqui em Nogueira ficam abertos.
 O meu reconheciemnto e fico a aguardar,
 Um Natal prosperos para todos os outros e se poderes bafeja-os com muito amor e compaixão para partilhar com o próximo e deixa um pouco para mim também.
 Quero agradecer-te o ano maravilhoso que me tens proporcionado neste ano de 2010.
Manda um leãozinho para todos para ele não se perder nos próximos anos, (incluíndo para mim se não te importares.)
Não é fácil.

Nunca desvalorizes ninguém

Guarda cada pessoa perto do teu coração

domingo, 5 de dezembro de 2010

O meu Jolim = Filho de Cadela e de Raposo

Filho da Menda e de Raposo.
Apesar de alguns veterinários dizerem que tal não é possivel esse acasalamento por o código genético ser diferente, certo que não conheço estudo que permitam que tal não é possivel.
Um fraco Caçador.
O meu Pai era um fraco atirador e passava um ano de caça, matando 2 ou 3 dezenas de Coelhos, que naquele tempo abundavam nos montes da minha aldeia.
Tudo o que era cão e ele encontra-se abandonado logo trazia para casa, na tentativa de encontrar algum que fosse razoável para a caça.
  UM Cão Raivoso que Mordeu a Rosa do Jigueiro
A Rosa do Jigueiro, foi mordida por um cão vádio que ali apareceu pelo lugar e não fosse o meu Pai ter intercedido de imediato junto do meu Tio Joaquim que trabalhava de carpinteiro na  feitura de Caixões no Hospital de Santo António no Porto e a Rosa tinha-se ído.
Valeu-lhe o rápido internamento e pronta assistência, e ela assim sobreviveu.
     Mas perante este caso confirmado de Raiva a Venatória foi a Cancelos/Sebolido, e obrigou que todos os Cães e Gatos fossem abatidos, porque poderiam estar contagiados "isto é terem sido mordidos pelo respectivo cão, "que por ignorância, tinha sido abatido pelos populares." (Pois o animal deve ser guardado para que se se confirmar a Raiva e o Animal ser testado também. A forma mais eficaz para a cura.)
( Mais tarde passei por isso e contarei o caso no Blogue Moçambique)
  Nada melhor para nós os Putos que logo ali encontramos uma boa fonte de rendimento. Passamos a levar 1$00 por cada Cão que afogassemos e 2$50 pelos gatos, quando fossemos nós a os apanhar, já que uma boa parte deles eram meios vadios.  Quando depois veio o Verão e o Caudal do Rio baixou não faltavam por lá abaixo cães amarrados às cordas e pendulhos (pedra).
 Realizamos uma boa maquia e rebuçados dos tais dos jogadores de futebol eram mais que muitos.
As  Cadelas  Lira e Menda
Face ao a cima exposto o meu Pai encontrou duas Cadelas vádias a Lira, uma cadela amarela magríssima e a Menda  de cor parda, uma Cadela que tinha sido abandonada pelos Ciganos.
 Ambas eram meigas, sendo que a Menda era muito mais Meiga que a Lira, que para a Caça era muito melhor.
 Ambas tiveram Cães com diferença de dois dias, tendo a Lira oito e a Menda 9, enquanto isto o meu Pai arrastou para casa mais um Cão que lhe deram " e que se como viria a provar mai um que era bom para comer) e então disse para matar a Menda e os restantes cães, deixando uns três ou quatro.
    Como gostava muito dos Cães da Menda, escolhi três e aproveitando a ausência da Lira os misturei com os dela, retirando-lhe de lá outros três.
     Ela aceitou-os e assim deitei os outros ao rio, que ainda com os olhos fechados não resistiram muito tempo até afogarem-se.
     Já quanto à Menda, foi por afogamento, com a corda e pendulho, por incrível, a pedra soltou-se duas vezes e a bicha, eu chamava por ela e ela vinha ter comigo, era eu e o Fifas,à terceira foi de vez. Custou-me imenso e isso foi feito debaixo da minha porta, onde o rio era fundo e ainda hoje quando olho para lá me lembro do animal, que até gostava dela, mas tinha de ser. Hoje sou incapaz de fazer mal a um cão ou a um gato, e talvez por isso tenha de manter uma série deles bravos que andam cá por casa.
Dois Cães e uma Cadela
Desses dois Cães que separei e uma Cadela, dois foram dados um para o Wilson de Rio Mau, que com escassos seis meses, quando lhe ofereceram meia dúzia de coroas o vendeu e já era um às na pegada do Coelho, mas que pouco depois um caçador a atirar a um Coelho o matou, a Cadelita que morreu de Doênça e o meu Querido Jolim.
 O meu Pai num péssimo dia,  entrando para dentro do barco de passagem na  pedra trinta, onde o barqueiro era o Tono Monteiro, manda-o embora "tinha o animal  três meses", como não obedeceu, mete a arma de carregar pela boca à cara e dispara um tiro sobre o pobre indefeso. Logo de seguida disse para o Tono que antes queria perder mil escudos " como se haveria de importar de os perder se não os tinha" de que fazer o que fez e desatou a chorar de arrependimento.
  Quando o Tono voltou o Cãozito já não parava ali.
  A distãncia onde isto aconteceu até minha casa distava uns três mil metros.
  Já ninguém contava com o animal, quando ele passados uns doze dias nos aparece no fundo das escadas, encontrado pelo Ti Luis Guerra que chama por mim e lá fomos tratar do meu Jolim. "Nome também que lhe foi posto por mim". Estava inchadíssimo, todo crivado de chumbos. Fizemos uma barrela (cinza do forno ou lareira e misturado com água) e lhe tiramos grão a grão, servindo a Cinza para lhe esfregar que servia de desinfectante. Resultou e fazia-mos esses tratamentos várias vezes ao dia até que o Jolim recuperou.
O Cão tinha muitos traços de raposo e a partir dos sete meses já era um às a caçar Coelhos à boca e a os mandar para a cara do Caçador, o meu Pai de o pior caçador, passou a ser o campeão, mas com grande avanço e a partir daqui e nos quatro anos seguintes e até o matarem por envenenamento a média de Coelhos que o meu Pai trazia para casa anos, houve que chegou aos duzentos.
     Era  perfeito em tudo, desde amoroso, a vigilante e sabia proteger os meus irmão quando se apróximavam da beira dos muros ou do Rio. Muito lhe ensinamos , mas muito mais foi por intuição dele.
   Fizemos-lhe um Funeral digno e irá para sempre perpetuar nas nossas memórias.
   O Meu Jolim era e é, o Meu Rapozinho.Quando se ama não se esquece, o amor fortalece-se
O Cordão vai aparecer e as Bruxas também.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O Meu reconhecimento e conclusões

O meu reconhecimento.
Seria desilegante e falta de humildade da minha parte não agradecer aos amigos que com os seus comentários, bem como a todos aqueles que diáriamente o consultam, não lhes reconhecer o importante contributo que têm dado.
   Sem vocês, seguramente não me seria possivel escrever aqui todo um passado, que a cima de tudo pretendo que sirva como incentivo a quem o lêr que perceba que hoje os tempos são outros tempos e que muitas dos acontecimentos naquele tempo hoje não se devam repetir.
MORTE DE UM IRMÃO E O MEU CÃO JOLIM
Neste período tinha falecido um Irmão meu, a quem foi dado o nome de Esmael,tinha treze meses de idade. Tempos depois mataram-nos um cão que foi a coisa melhor que já algum dia houve na Freguesia de Sebolido e arredores, tendo o meu pai recusado uma oferta de 4.000$00 de uns Senhores Doutores Caçadores de Avintes. Um Tio meu que não tinha coragem de ver matar o porco ou uma galinha e saía de casa quando se matavam um ou outro, aborreceu-se com o meu Pai e disse-lhe que havia de matar o pobre animal. Pouco tempo depois da ameaça, o Jolim foi envenenado e o meu Tio esteve quase para pagar as favas e ter o mesmo destino do Cão, porque não teve a coragem de dizer que não tinha sido ele que o envenenou. O meu Pai morreu e convencido que tinha sido ele o meu Tio Simão o assassino. Mas muito recentemente vim a saber pelo próprio filho " O Tono Pombas" que o assassino tinha sido o seu Pai o Ti Zé das Pombas que para matar os Gatos arranjou bolas de Estraquelina e as espalhou e o cão foi envenenado com elas.
 Churamos quando o meu Irmão morreu, mas muito mais choramos, quando nos envenenaram o Jolim .
 Fizemos-lhe um Funeral digno, uma sepultura como se faz aos humanos e todas as semanas lá metía-mos uma flor e um Irmão chegado a mim plantou lá um pinheiro onde se conservou muitos anos.
  Mais tarde quando vim a conhecer o cemitério dos Cães em Lisboa, recordava ali o meu querido Jolim e até hoje os Cães que a familia vão tendo em homenagem a eles todos lhe dão o nome de Jolim.
   Já tive muitos Cães e tenho um, mas jamais algum ocupou o lugar dele, ou o fez esquecer.
    Coisa rara, ou talvez única. Em média; permitia ao meu Pai que era um fraco atirador, matar entre 140 a duzentos Coelhos ano, sendo que o Jolim à sua parte caçava metade, sempre que quizessemos um Coelho, bastava levar um Pau e com uma paulada no Coelho que estivesse na cama, ou que o Jolim o caça-se com a boca, normalmente não vinhamos de mão a abanar.
Isto criou tal mau estar no Ti  Pombas e Ti Luis Guerra, no Ti Másrio Barrigudo etc. etc. que optaram pelo furão, mesmo que fosse probída a sua utilização.
Pois é Ti Zé Pombas, isso nunca deveria ter sido feito a um pobre animal indefeso e que tantos Coelhos lhe tinha proporcionado graças a ele você os ter morto e comido.
     Mas a crueldade e a inveja!!!
A abertura da estrada, proporcionou-nos um campo de futebol.
Na Própria Estrada, e também a vinda das multas de vinte e croa
 A abertura da estrada, deu-nos um novo campo de futebol, que ali mesmo, a uns cinquenta metros da Escola fosse críado o novo Campo de Futebol, pois ali havia uma recta de uns trinta a quarenta metros, onde após uma curva, a escassos metros, permitia ao Cantoneiro "que entretanto ali foi colocado" nos caçar com a boca na botija  "bola a circular", muitas vezes nem nos apercebíamos dele, tal era a garra com que se disputava a partida, claro que fazia parte do jogo a Canelada e a bulha (Porrada). Apesar de ele ter dois filhos que também jogavam, o mesmo acontecendo com os dois filhos do Cabo de Ordens, o Cantoneiro não perdoava, e as participações ao Chefe que vivia em Rio Mau e depois o escritório passou para  Entre-os- Rios, onde nos tinhamos de deslocar para sermos interrogados. Muitas vezes valia as nossas  juras a pés juntos que os Filhos do Cantoneiro ou do Cabo de ordens também lá andavam,outras vezes o Cabo de Ordens "o Ti Afonso, lá nos ía safar" mas isso não impedia que de quando em vez lá tivessemos os nossos Pais de pagar a tal multa de vinte e croa 20$50. Mas a verdade é que muitas vezes os filhos do Cantoneiro andavam lá e ele fingia não os ver.
 Os nossos Pais tinham de pagar. A nossa forma de lhes pagar "a eles Pais" era sempre a mesma. Com o nosso Corpo.
O meu primeiro S. João do Porto.
Apesar de noutras ocasiões aqui ter vindo ao Porto, fosse de barco, com o meu avó, para apanhar bicha do mar para a pesca. Com o meu Pai para ver um jogo de futebol, já que ele meu Pai era portista de cartão ou ainda uma vez com a minha Tia, a tal que mandava muita roupa para eu lhe tirar os botões para a Pincha, foi então a primeira vez que vim ao S. João.
     Quando o meu Primo lhes disse lá a dois pistolas que eu era da aldeia, encheram-se de vontade e armdos em meninos rúfias da cidade, vá de começar a malhar com o tal martelo. Estavam longe de imaginar o que lhes estava reservado "e o meu primo Luis segundo me disse depois" fez isso de propósito. Deram-me duas ou três marteladas e começaram a gozar, até que me pegou os pirolitos e como estava treinado da aldeia aqueci-lhes o lombo aos dois.
 Depois quando lá ía aos Guindais tinham respeitinho pelo puto, dizia eles: que eu era da aldeia mas que não era bom de assuar. Como poderia ser? Não era nem podia ser, depois de tantos treinos.
Próximo relato.
Atirara pedras às Perdizes. O Roubo do cordão da minha Mãe. A minha ída à brucha

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Um Ano em Criança Traquina, é muito tempo.

   
   Novas actividades.
    Se a idade pode parecer muito pouca, a verdade é que as coisas aconteciam de forma a que os nossos desafios superassem a própria idade.
   Como em outro blogue referi: o termos como apenas seis anos de idade, ter ído roubar dois cravos, duas abôboras e uns tantos pessegos valeu para que essa Beata Solteirona  e Catequista Ti Maria Zé nos tivesse chamado a GNR. A mãe do outro, que contava cerca de nove anos, decidiu não pagar, a minha como pagou logo, teve de pagar 25 $50 e a Ti Micas  do Pedro 30$50, dava naquele tempo para florir o rio Douro todo.
 O leite da Figueira brava, o tirar das linhas do carrinho das mães remendar a roupa,o atarvessar o Douro a nado, para um e outro lado, o pescar à loca ( Era mergulhar e meter a mão nos buracos que havia nas pedras e onde o peixe se metia.)
 Também já outras duas actividades começavam a ser desempenhadas, roubar a Peneira ou o Crivo para apanhar a Loura (enguia pequenina)  e que se comiam, quando não havia azeite, coziam-se e com uma côdea de brôa por vez cheia de bolôr, já dava para matar a fome e andar todo o dia na boa vai ela.
     Cabo de Ordens, Professor, Padre e Catequista.
  Começa de novo a Escola para a segunda classe e com ela o Cabo de Ordens que era  Sapateiro e a quem os nossos Pais lhes pediam para nos tentar meter na linha, entrava também um novo,  uma nova Professora, um novo Padre e o ter de aturar a peste da Catequista, que desde sempre nos fazia a vida negra..
        Adivinhava-se um ano tremendamente difícil, enquanto decorriam as férias, o Cerqueira e o Serralheiro, cada vez se tornavam mais exigentes e agressivos.
        Também já as exigências eram maiores a nivel caseiro. Se de manhã tinha de ficar a olhar pelos meus Irmãos, enquanto a minha Mãe que saía de casa por volta das cinco da manhã para ir à lenha da Serra, carregando Carqueja que trazia à cabeça e  feita em Botenos (molhinhos pequenos) que carregava cerca de cem, e que, depois vendia por  2$50, para os donos dos Rabões (Barcos grandes de Carga, feitos de madeira) e que era transportado para o Porto, onde ali era vendido para as Padarias.
   Depois da parte da tarde lá íamos os miúdos para arranjar e trazer lenha para o lume.
   Não havia pousos (Bancos para pousar os molhos), então nós os putos resolvemos fazer  uns tantos de longe a longe nesses locais, por onde passavamos, e onde poderia-mos ali descarregar a carga e descansar e depois voltar a carregar sem ajuda de ninguèm.
     Todos ajudaram a fazer, e o combinado era que todos ficavam com direito a utilizá-los. Mas depois deles feitos os direitos foram decretados e eram para serem cumpridos.Só um dos filhos do Moura "O Tono" rinha ajudado e como tal só ele teria direito.
      Nós carregavamos pouco, enquanto a Ti Rossa Moura e os seus quatro filhos se carregavam que nem bestas. Já sabiamos quando chegavamos com aquele feichezito e eles com aqueles feichezões as nossas mães comparavam e claro que saía corda por sermos malandrões, então a nossa vingança fazia-se em ocupar-lhe os pousos todos e eles não tinham hipótese alguma de aguentar os molhos até casa.
 A pobre da mulher bem berrava pelas nossas Mães, mas quando se fazia ouvir já não tinha alternativa, tinha de deitar o molho para o chão e já não o conseguia levantar.
  Eles sofriam de uma maneira, nós de outra, porque não escapavamos à respectiva tareia.
  Esta gente sofreu imenso. Não fosse o avô fazer uma quinta e seguramente tinham morrido de fome. A Ti Rosa só tinha direito a alguma coisa, quando ele lhe dizia ó Rosa deixa que eu dou-te uma saia nova e uma blusa. Mas isso era quando o rei fazia anos. Ele o Luis, merendava todos os dias a caminho da mina. Para casa toma lá nada. Passavam fome de rato.
    Também a vida não estava fácil porque tinha sido descoberto várias vezes a roubar a fruta na Quinta da Moira e a coisa estava preta.
      ENTRADA PARA A SEGUNDA CLASSE = A PEDRA PARA LEVANTAR A PERDIZ
      

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Aquele Par (Eu e o Fiafas)

Aquela dupla servia os interesses da professora.
O nosso péssimo comportamento, servia na perfeição à professora, que para alcançar os seus objectivos, teimava  em nos manter juntos, quando nos zanagava - mos, e isso acontecia amiúdadas vezes, ora um ora outro, pediamos -lhe para que nos coloca-se um em cada lugar, "melhor um em cada carteira", mas ela justificava-se que se o fizesse, nós iríamos prejudicar esse novo colega, mas acontecia: O Fifas a aprender não era Burro e  eu e modéstia à parte era o aluno que melhor aprendia, mas o pior era o comportamento", que poderia melhorar se nos separassemos e até havia carteiras que não eram utilizadas e a sala tinha espaço para que as colocassem.
  Mas a Professora gostava de molhar a sopa bem molhada e nós juntos dava-mos-lhe essa possibilidade.
A exemplo:- Antes de nós já tinha esgaçado (abrir e a sangrar) a orelha a um Aluno que até por sinal era filho de um senhor da Aldeia, que até tinha cinco quintas. (Um Feudal, O Ti Rocha).
Fugir da escola.    
   Não se passaram dois meses, para que quando ela nos ameaçava se nos desse tempo,eu e o Fifas nos pusessemos na alheta, aproveitando o facto das Janelas não terem vidros e tinhamos já o exemplo do Velhinho e outros mais antigos que também fugiam.
  Logo nas primeiras fugas o Cerqueira e o Serralheiro nos deram o total apoio, e os seus  bons conselhos, para que fugissemos e fossemos ter com eles, pois levariam um côdea de broa e uns rebuçadositos.
   Assim começaram as nossas fugas e sabendo que no outro dia levaríiamos a dobrar e em casa a receita não falharia, não nos desmotivava.
A viagem ao Sabado da Professora e do Coveiro
A professora não tinha transporte, o que a obrigava a  e se deslocar a pé cerca de 5 klm de Sebolido a Entre-os-Rios e ali apanhava a Camioneta da Carreira para ir passar o fim de semana a casa, "como o Coveiro Custódio todos os Sábados que era dia de darem Esmola aos Pobres na Quinta de Santa Cruz", fazia companhia à Professora.
 O meu Irmão Esmael que faleceu apenas com um ano de idade, o Coveiro ao cobrir o caixão deitou umas pedras juntamente com a pouca terra que existia no Cemitério, eu ao assistir aquela cena não percebia porque teria ele de enterrar o meu Irmão, umas semanas depois a Professora também me treinou a mim e ao Fifas, falamos com os Pombas e eles ajudaram a juntar Pedras no cimo das Fragas. No Sabado, esparamos por eles,  nunca vi uma professora velha correr tanto nem um Manco (o Coveiro), porque elas "as pedras"eram atiradas mesmo para acertar.
   Na segunda-feira lá tinhamos a receita do costume à nossa espera :- Régua e Cana. Foi dando ora a um ora a outra, mas quando lhe dissemos que se nos continuasse a bater nós fariámos pior, ela foi abrandando batendo mais leve e pouco depois desistiu.
   Andou ali um tempo, que ameaçava, quando batia era a sacudir o pó, mas perante a pressão do Serralheiro e do Cerqueira de quando em vez, lá íamos dando o salto, mas o castigo era sempre muito mais suave.
 Fim do primeiro ano escolar = Nova Professora e Novo Padre.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nós e os Miúdos de Sebolido e entrada na Escola

C.T.T: Caramba Tanto Trabalhavamos !!!
Para um puto que ainda se preparava para entrar na Escola Primária,e que contava já com um passado de tal  traquejo, para que o comportamento fosse um pouco para além da idade que tinhamos.
     Pois todo aquele movimento dos jogos, a vida da pesca, os dos desafios que faziamos ao Rio,para aprender a remar e nadar, roubar as linhas do carrinho de linhas de coser as roupas, das nossas mães para aprender a fazer redes e pardelhos, "para pescar ao peixe miúdo", a obrigação de termos de olhar pelos irmão mais novos, eram um desafio constante e as faltas contantes do não  cumprimento com as regras que nos eram impostas, as justificadas razões  que levavam a que os nossos PAIS nos castigassem com porrada, que era a fruta desse tempo, por ir roubar fruta etc. etc. Advinhava-se  que  a nossa entrada para  a Escola  não nos iria trazer um modificação de comportamento de forma a que as professoras viessem a ver em nós crianças exemplares, e a terem uma vida fácil, nem elas também estavam muito interessadas em que isso acontecesse. Eram pouco pedagógicas. Também na Escola a prática corrente a aplicar para com os meninos mal comportados, eram os castigos de Régua e "Régua com milheiros" para as penas mais gravosas, e Cana da Índia,"pela cabeça, orelhas, a que nós mesmos as trazia -mos para a entregar à Professora e normalmente eramos os primeiros a sermos a estreá-la etc.
     Ainda para complicar  mais as coisas, nos iríamos juntar aos miúdos de Sebolido, a maioria filhos de lavradores e que pouco convívio tinham, já que ainda não havia Estrada nem luz Eléctrica.
Todo o transporte de mercadorias  eram feitos por barcos via Rio.
  Juntavam-se ali por vezes muitos barcos Rabelos e os Pescadores do Sável e Lampreia, onde nós por ali andavamos e ouviamos as conversas de gente adulta, o que contribuía para a nossa maior traquinice.
   Contrapunha com os miúdos de Sebolido que andavam nos campos e pouco conviviam entre si e até os filhos dos donos das terras eram pelos pais coniderados meninos de bem e proibidos de se misturavam com os filhosdos caseiros (lavradores os que amanhavam as terras) que eram os que lhes trabalhavam as terras e lhes pagavam renda.
     ENTRADA PARA A ESCOLA
Não foi difícil à professora obter informações detalhadas sobre o comportamento dos novos inclínos.  Quando entrei já  ela me tinha seleccionado a  ocupar uma carteira e do lado direito do corredor, sendo que o outro seleccionado para ocupara a mesma carteira  era  o Fifas (uma boa prenda) que só entraria uma semana depois, mas ela já tinha decidido aquele lugar ao meu lado que seria ocupado por ele.
   Bem tentei arranjar pretextos para que ela nãos nos meter juntos, mas de nada valeu.
   Tudo correu bem enquanto o Fifas não chegou, eu estava a gostar daquilo, pois os dias foram passando sem que os meus Pais me limpassem o pó e a Professora me chamasse à atênção. Estava a entrar num mundo do país das maravilhas.
    Já sabia que isto só duraria até ao dia que o Fifas entrasse na aula. Não me enganei, e logo no primeiro dia e sómente passada uma horita, o Fifas começa a conversar, eu respondi-lhe e ela que esperava aquele momento certo, não o perdeu, e vaí da sua Secretária atira com a Régua que bate na esquina da Carteira do meu lado e parte ao meio.
     Levantou-se,veio direita a mim e puxa-me uma orelha e o Fifas foi logo avisado, com um amarelo avermelhado.
     Começamos a medir os cantos à Escola e vimos logo que as Janelas não tinham vidros!!!
      Primeira fuga da Escola eu e o Fifas, como convinha.