sábado, 1 de janeiro de 2011

As 9 Sextas-Feiras após a comunhão Solene.

A Comunhão Solene.
     Lá de ser traquina eu sei que não sou o único e ainda bem!!!  Quanto a porradinha Virgilio!!!
Já estava tão habituado que nos dia que não me treina-se não era dia para mim e quando chegava à noite e me parecia que não choveria nesse dia eu arranjava sempre um pretexto para a coisa acontecer.

   Realizada a Comunhão Solene era obrigatório ir comungar na primeira Sexta-Feira de cada mês nove meses seguidos, segundo diziam só assim teriam validade essa mesma Comunhão.
  No primeiro mês até nem me importei nadinha de o fazer.
  Segundo roguei uma pragas e disse ao Fifas para dizer à minha Mãe o que tinha dito e eu fui dizer o mesmo à Mãe dele. A minha mãe fez vista grossa e llá me obrigou a ir.

 Aquilo já era de mais e eu não suortar ter de continuar. lá me fui confessar de véspera como era obrigatório naquele tempo e quando soube que a minha Mãe no outro dia ía de manhã com o Barco à Cooperativa buscar a mercearia vi logo ali o propblema resolvido.
Ela chamou por mim e eu aleguei que me ía vestindo, ela lá foi buscar o Barco e quando já seguia Rio abaixo e por baixo da minha casa, onde tinhamos uma Figueira apanhei uns Figos e disse-lhe olhe a hóstia e comecei a comer os Figos.
 Disse que me ía cozer e Fritar, mas eu sabia que depois passadas umas horas seria um sacudir de pó.
 Por ali ficaram as Sextas-Feiras depois da Comunhão.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A minha Comunhão Solene

O meu relacionamento com a Beta Ti Maria Zé nunca tinha sido bom, ela sabia que eu não gostava nadinha daquilo e que estava ali a fazer um grande sacrifício, mas nem por isso evitava que eu fosse dos melhores na Catequese e por muitas voltas que ela tentasse dar eu respondia sempre, porque decorava aquela lenga lenga toda que ela dizia.
Preparativos para a Comunhão Solene
Foram os meus Pais falar com a minha Madrinha e Padrinho, e estes logo acertaram entre si o que dariam: logo o meu Padrinho marcou para irmos ao alfaite para mandar fazer um fato novo e daria ainda o chapéu, enquanto a minha Madrinha comprometeu-se a dar-me os Sapatos, Camisa e Gravata.
A proposta direi que na altura quase era irrecusável e até andei uns dias a portar-me bem. Pela primeira vez iria ter uma fatiota completa.
 A Paz durou pouco!!!
  Naquele tempo o Padre fazia a Selecção de quem iria cantar e quem seria Trombone (não ter voz), como se isso não chegasse decidiu que o Tono Alemão seria o meu parceiro.
O Padre e Eu !!!   
Quando ele me o disse: pedi-lhe para me trocar e evoquei razões:- O Tono era mais velho que eu, também era trombone e levava um fato já p´ra aí em terceira mão vindo dos Irmãos.
    Não me atendeu, porque o que ele não queria mesmo era colocar-me ao lado do Fifas ou do Tono Pombas.
    Disse-lhe então que não iria comungar e pus-me na alheta.
    Lá foi à minha procura uma senhora de Rio Mau (Beata) e depois de muita conversa convenceu-me a ir que segundo ela pedia ao Padre para me trocar o companheiro.
 É o trocas!!! Quando me deitou a mão foi buscar a régua grande com milheiros e toda a dar sem dó nem piedade, ficaram as mão a reverter sangue.
   Claro que mandou dizer aos meus Pais o que estava a  acontecer. Foi o bom e o bonito e mesmo no dia da Comunhão os meus Pais lá íam sempre próximos de mim com medo que eu me pirasse.
   Pensava em fugir, mas o fato e os Galórios para o almoço também ajudaram e muito a que me mantivesse sereno todo o tempo em que durou a cerimónia.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Neste como em todos os Natais o Fiel Amigo não Faltou

Estava a ser um ano de tremenda dificuldade, mas a garrafinha do Azeite novo que tinha sido feito no Engenho em Santa Cruz das nossas Oliveiras lá estavam guardada, para regar sem restrições as Batatas o Bacalhau e as Trinchudas e molhar a côdea de Broa nesse mesmo azeite.
   Tinha vindo bastante Lenha pelo Rio abaixo, o que permitiu que a fogueira tivesse uma boa labareda e brasas acolhedoras.
   Acabados de Cear, lá seguimos o Ritual de Joelhos e com a minha Mãe a passar o Terço e a pedir ao Menino Jesus, pois neste tempo ainda não havia Pai Natal para que não se esquece-se de nós.
  Foi mais um Natal de enorme Felicidade.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Putos Alpinistas = Descer e Súbir as Fragas (Vertigens)

Putos Armados em Alpinistas
Era costume nós descer e subir as Fragas, direi mesmo que era um procedimento normal andar metidos em aventuras para descobrir onde o Ujo fazia ninho. Como também fazer-se escalas sendo que cada um procurava em cada dia o fazer por locais mais difíceis. Isto já vinha dos mais antigos e felizmente que eainda até aos dias de hoje não morreu ninguém de queda.
     As Fragas da minha Aldeia, sejam as do Vale Escuro, ou da Abitureira, tem várias dezenas de metros de altitude.
      Tem muito musgo e são bastante amareladas ( dizia um bem dito mentiro o Ti Sapateiro de Cancelos, que eram assim amarelinhas, porque ele há muitos anos quando era novo as tinha pintado)
      Foram muitos os sutos que muitas vezes apanhamos, mas nada que não fossemos superando e não eram o suficiente para nos desmotivar.
   Entre o Borracho e o Sopapo, Deus mete a mão por Baixo
   Um belo dia, estavam as fragas muito húmidas e deu-me para descer por um local onde tinha muito musgo, cheguei a um ponto que não tinha onde colocar o pé direito, pois ficava uns centimetros mais abaixo.
 Sem força já nos dedos das mão com que me segurava, fui deslizando e lá consegui descer, recordo-me que no momento de grande dificuldade olhei para baixo, sabia que estava a mais de trinta metros de altura, se caísse não tinha a minima hipótese. Quando cheguei cá abaixo olhei pra cima e comecei a tremer que nem varas verdes, a partir dali, jamais fui capaz de deixar de ter vertigens e quando nas obras mesmo cá em baixo olhava para cima e via os trolhas nos quatros e quintos andares, tremia e dormia muito mal, mesmo quando acordava ou ainda mesmo hoje acordo de noite e me vem isso à ideia, tremo todo.
     Por incrível que parece até as ribanceiras e pontes que vejo na NET me fazem tremer.
     Traumas de criança que são incuráveis. Vá lá saber-se porquê???

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cobras e Trauma = Vida de Criança

Ao fundo das fragas do Vale Escuro, tinha ali um Silvado, onde ao lado havia um carreiro por onde, começavamos a subir para escalar as fragas e foi precisamente por este carreirito onde eu e o Albano Pombas tinha-mos levado a Ovelha, para depois a empurrar fragas abaixo.
  Nesse dia nem Pombas nem Fifas, nem Malhado nem viva alma, me acompanhava.
  Andava eu sózinho, "o que era pouco normal acontecer" com as ovelhas da minha Avó.
 Tive de ir lá vira-las porque uma delas ficou presa nas Silvas, pois tinha a lã grande.
  Quando me aproximei dela; vejo-me rodeado de Cobras a saltar mais alto que eu, era em grande número, tinham um rabo curto e algum cabelo. Sujei-me todo e fiquei estático.
  Foi um espectáculo deprimente e soube depois que elas andavam a machiar e quando isso acontece que se tornam agressivas.
 Foi tal o susto que apanhei, que ainda hoje e só a falar nelas como agora, ainda me arrepio todo.
 Seja no Jardim da Maia, ou no Zoológico fui ver algumas exposições e segundo diziam uma das quais seria das melhores do mundo e nas quais, haviam inúmeras espécies.
 Elas estavam fechadas, mas eu mantinha-me todo encostado à parede e cheio de tremeliques.
 Fiquei de tal ordem horrorizado e traumatizado, que hoje quando na minha aldeia (nos meus campos ou caminhos), deparo com alguma, continuo a ficar estático. Já por  três vezes dei com três  mortas "uma de cada vez" e mesmo a arrumá-la com uma vara, é sempre a  a tremelicar enquanto dura a retirada e durante um ou dois dias, quando me lembro ou acordo de noite e elas me vem à ideia, fico todo constrangido.
 Marcas de infância que nunca se afastam de nós.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Como fui feliz na minha infância = Tinha direito a sonhar

O Fim do Mundo no Ano dois Mil e o NatalQuais miúdos da minha idade não se lembram das professias daquele tempo em que se dizia que dos dois mil não passarás.
 Junto às margens do Douro, fazia-mos as contas dos anos que havia para viver.
 Era a altura da Tuberculose e via-mos morrer gente muito nova.
 Verdade, que as pessoas com sessenta anos era consideradas gente de muita idade, já que a média de vida rondava os sessenta anos. Morrer aos cinquenta e sete no meu caso, nem era muito mau.
O Peixe no Rio e outros meios de Subsistência!!!
O Rio nestas alturas, e mais concretamente a partir de Setembro e até Fevereiro não dava peixe, nem era permitido pescar.
    O dinheirito que as nossas mães ganhavam com a apanha e venda da Carqueja e da Queiró não dava nada, pois com o Inverno não dava para ir apanhá-la. Mas também molhada carregava-se meia dúzia de botenos.
   O meu Pai trabalhava nos Rabões como adventício e só de quando em vez lá aparecia uma viagenzita, por doênça de algum Barqueiro efectivo, mas também porque as cheias do Rio não permitiam o transporte e quando o faziam o Rebocador levava uma boa parte do dinheiro.
  A fruta!!! Apenas e só uma laranjas e nesta época azedas que nem rabo de gato.
  
Foi-se para o Talho o sustento da casa.
        O Porco, era o Governo da casa, e durante este período era o que valia, mas uma maldita doênça, neste ano, resolveu atacar o que tinha-mos  e que estava prevista a sua matança para uns quinze dias depois.
  Apanhou talvez uma pneumonia e quase de graça foi vendido para um talhante de Entre-os-Rios.
Valeu na circunstância as côdeas muitas vezes com Bolôr dos peditórios que a minha Prima Barrota andava a fazer diáriamente e assim se foi entretendo a barriga, com o bocado de adubo (toucinho) a ser deitado no caldo quatro e cinco vezes, misturamdo-lhe umas folhas de couve e uma mão cheia de farinha. Era melhor que hoje muitas vezes um bom bife. Aquela sopa sabia a tudo e então o rostulho!!!
  Mas no Natal lá houve as batas, a postinha de bacalhau e regadas com azeite das Oliveiras lá de casa.
   A aletria e as Rabanadas também não faltaram.
    O Menino Jesus (Pai Natal de Hoje) também colaborou e lá deixou ficar na Lareira umas Bolachas de Água e Sal.
E claro para que fosse  um Natal muito feliz, tinha lá o coração da minha Mãe a jorrar pingos de amor.
    Fui muito feliz com os Natais  da minha Infância.
  A vida tinha-nos ensinado a ser humildes.

Uma Paixão que perdura
Desses tempos  de atroz
Mas a tradição continua
Vinda de meus Pais e Avós

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Puto também tinha coisas boas!!!

Tenho vindo a contar as perípécias ocorridas no meu tempo de criança, direi que a procissão ainda vai no adro como ousava dizer-se nas minhas aldeias.
 Mas para que não passe apenas e só a mensagem de que fazia-mos apenas e só coisas más ou péssimas, que a nossa arma era a desobediência etc. etc.
Aqui fica : - Não, no meio de toda esta movimentação ainda nos sobrava tempo para praticar  boas acções.
     Era-mos incapazes de dizer não a qualquer pedido que nos fosse feito, desde o ajudar as pessoas mais idosas a levarem um caneco, ou um regador de água, uma bacia cheia de roupa lavada ou suja, ficar-mos com uma criança, enquanto a Mãe dela tirava ou avinhava a rede.
Enfim, eramos putos amigos de ajudar, também ai de nós se o não fizesse-mos, pois ao chegar aos ouvidos dos nossos Pais as coisas acabariam por nos saír a fava.
     Na minha Aldeia, nós os Putos tinhamos um respeito e obediência para com os mais velhos.
     Sabemos que ao estar-mos sempre por perto deles, fosse nos areios à pesca, fosse, quando amarravam os botenos de Carqueja e Queiró, ou ainda nos lindos bailaricos e cantigas ao desafio, debaixo da Ramada da Beata Ti Maria Zé, ou na Tasca do Pereira em Midões.
As boas e más contribuíram para uma infância de enorme felicidade e a fomentação de uma sã amizade entre os mais velhos e mais novos.